Vacinas nacionais x importadas. "Éticas" x "não éticas"

Existe uma discussão sobre eficácia entre tipos de vacinas e fabricantes. Em tese, todas as vacinas que possuem registro no Ministério da Agricultura, tiveram sua eficácia comprovada e, portanto liberada para comercialização. Como já foi dito,  muitos fatores interferem na eficácia da vacina:

     As consideradas vacinas "não éticas" são vacinas de venda livre, ou seja, que não são exclusivamente vendidas a médicos veterinários. Não há controle de compra e com isso não há controle de armazenamento, manipulação, validade. Sendo em sua maioria, aplicada por leigos em pet shops ou casas agropecuárias.

As vacinas éticas são vacinas exclusivamente vendidas a médicos veterinários que estão devidamente registrados no CRMV de sua região, e em geral estão em consultórios, clínicas ou hospitais veterinários, o que garante um correto armazenamento sob temperaturas controlas em geladeiras específicas para este fim, bem como correta manipulação da vacina. Vacinas nacionais, como  o nome diz, são vacinas produzidas no Brasil ou em laboratórios brasileiros. Infelizmente algumas dessas vacinas são de venda livre, e portanto consideradas não éticas, o que conseqüentemente acaba comprometendo sua eficácia devido a fatores externos.

 Vacinas importadas são fabricadas por multinacionais presentes em diversos países, que exportam determinadas vacinas de acordo com as doenças presentes naquele país.  Em sua maioria, são vendidas  exclusivamente a médicos veterinários cadastrados.

Por estarem presentes em diversos países, em contato com as mais diversas realidades, estas empresas acabam investindo muito em pesquisas de forma a estar sempre atualizando as vacinas de acordo com novas cepas virais ou aparecimento de novas doenças, algumas dependendo da localização geográfica (de acordo com o país, um exemplo é a vacina contra Leishmaniose desenvolvida no Brasil e a vacina de Fiv na França), outras de forma globalizada.

Portanto a vacinação dos cães e gatos é algo muito mais complexo do que simplesmente aplicar uma injeção,  e somente o Médico Veterinário é capaz de avaliar a condição clínica do animal e escolher o melhor protocolo vacinal.

 

Protocolos vacinais

Existem alguns esquemas vacinais que podem ser adotados, que variam de acordo com: idade do animal, consumo ou não de colostro materno, exposição ao agente causador da doença (vírus/bactéria), raça do animal (no caso da parvovirose, existem raças mais sensíveis, que recebem um esquema vacinal diferenciado) entre outras considerações.

Além do que, existem vacinas de vírus vivo (modificado ou atenuado) e vírus inativado. Quem define o tipo de vacina a ser aplicada, a idade inicial e a freqüência dos reforços, é o Médico Veterinário, após conhecer toda a  história clínica do animal.

Depois de feito a escolha da vacina, o animal passa por um completo exame físico, para ter certeza que está apto a ser vacinado. Costumo dizer imunizado, pois vacinado é o que muitos leigos fazem. Animais com doenças pré-existentes, alterações de temperaturas corporais, verminoses, infestações por pulgas ou carrapatos não devem ser vacinados, pois haverá comprometimento na resposta vacinal. Além disso, caso o animal esteja incubando alguma das doenças as quais a vacina protege,  poderá haver piora do quadro.

Importantíssimo também são o armazenamento e manipulação da vacina. É algo que pode influenciar diretamente na eficácia da vacina. Todas as vacinas devem ser mantidas sob temperatura rigidamente controlada em refrigerador exclusivo para este fim, preparadas e administradas de forma asséptica, e aplicadas em locais corretos de administração.

Conheça quais vacinas estão disponíveis no mercado brasileiro e a importância delas na saúde do seu cão ou gato:

CÃES

Principais doenças que podem ser prevenidas pela vacinação anual:

 1) Cinomose: doença viral que acomete cães de qualquer idade. É altamente contagiosa através do contato direto com secreções principalmente nasais dos animais doentes. O vírus pode ficar disperso no ar principalmente em temperaturas mais frias. No cão, pode manifestar sinais cutâneos, gastrointestinais, respiratórios ou neurológicos e como não há tratamento específico, a taxa de mortalidade é alta. Os animais doentes podem receber tratamento sintomático, e os que conseguem driblar a doença acabam ficando com seqüelas (principalmente neurológicas) pro resto da vida.

 2) Parvovirose: doença viral que acomete mais comumente filhotes, levando a um quadro gastrointestinal grave com diarréia e vômitos com sangue. O contágio ocorre através do contato com as fezes contaminadas, porém o vírus pode permanecer no ambiente por meses a anos. Também não há tratamento específico, somente sintomático, e a taxa de mortalidade é alta.

 3) Coronavirose: doença viral, com manifestação gastrointestinal semelhante a parvovirose, porém mais branda. O cão também se contamina ao entrar em contato com as fezes contaminadas. Maior incidência em cães até o 4°mês de vida.

 4) Leptospirose: doença bacteriana, que pode ser causada por diversos sorovares (tipos de leptospira) existindo mais de 10 que pode contaminar o cão. Cada sorovar manifesta uma sintomatologia clínica, que pode variar de lesões graves em rins, fígado e hemorragias. O animal se contamina entrando em contato com o animal doente ou urina contaminada (que também pode contaminar água e alimentos).

 5) Parainfluenza e Adenovírus tipo 2:  doenças  virais, que acometem o sistema respiratório causando tosse, espirro que podem evoluir pra pneumonia. O cão se contamina ao entrar em contato com os animais doentes,  que transmitem o vírus através de partículas durante a tosse ou espirro. Altamente contagiosa, principalmente  em locais com grande número de animais (canis, parques).

 6) Hepatite Infecciosa:  doença viral com manifestação hepática e ocular. Ocorre através do contato  oronasal com o cão doente.

 7) Raiva:  doença viral grave e sem cura, que manifesta sinais neurológicos e que se comprovada a doença é indicado eutanásia do animal. Por se tratar de uma importante zoonose (que os cães ou gatos doentes transmitem pela mordedura/saliva), a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.

8) Leishmaniose visceral: doença grave transmitida pela picada de determinadas espécies de mosquitos, manifesta inúmeros sinais clínicos no cão como lesões em pele, aumento de linfonodos, anemia, alterações em órgãos como baço, rins  e fígado  entre outros. O tratamento canino com determinadas drogas é proibido no Brasil e a legislação vigente recomenda a eutanásia dos animais positivos.

A vacina está disponível somente em áreas endêmicas (onde há vários casos de Leishmaniose visceral canina (e humana) comprovados). Uma vez vacinado, o animal pode se tornar positivo em alguns exames para detecção da doença o que em tese teria a indicação da eutanásia. Por isso, ela tem um esquema diferenciado de vacinação, pois precisa de confirmação sorológica negativa antes de iniciar o esquema vacinal, além de um controle muito mais rigoroso dos reforços vacinais.

GATOS

Principais doenças que podem ser prevenidas pela vacinação anual:

 1) Panleucopenia felina:   doença viral, contagiosa através do contato com as fezes ou objetos que tenha entrado em contato com o animal contaminado. Manifesta principalmente sinais gastrointestinais graves com alto índice de mortalidade. Não possui tratamento específico, somente sintomático.

 2) Rinotraqueíte:  doença viral (causada por um herpes vírus), altamente contagiosa, que manifesta sinais respiratórios (principalmente espirros e secreção nasal) e alterações oculares, podendo levar o gato a morte por complicações do quadro ou  permanecer com seqüelas oftálmicas.

 4) Clamidiose:  doença bacteriana, transmissível aos humanos, que se caracteriza principalmente por lesões oculares (conjuntivite, úlcera de córnea...)

 3) Calicivirose:  doença viral, que causa infecção respiratória nos felinos. Pode vir associada a rinotraqueíte e a clamidiose, levando ao quadro de complexo respiratório felino.

 5) Leucemia Viral Felina (FeLV):  doença viral grave, sem cura e sem tratamento específico, contagiosa  principalmente pela saliva do animal contaminado (que pode contaminar comedouros e bebedouros), lambedura ou mordedura. Apresenta diversas manifestações clínicas, entre elas a imunossupressão e  o aparecimento de tumores em diversos órgãos (linfomas).

 6) Vacina Anti-Rábica:  Por se tratar de uma importante zoonose (que os cães ou gatos doentes transmitem pela mordedura/saliva), a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.

            Também existem as polivalentes felinas,  entre elas a tríplice (V3),  a quádrupla (V4)  e a quíntupla (V5) além da Anti-rábica.


 

 

 

 

 

 

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