HIPOTIREOISDISMO CANINO


O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireóide deixa de produzir a quantidade necessária de hormônios tireoideanos que são necessários para a manutenção da normalidade das funções metabólicas do organismo (NELSON, 2002, PETERSON, 1998). Segundo a etiologia, pode ser classificado como hipotireoidismo primário quando a glândula da tireóide é destruída devido à tireoidite linfocítica, atrofia glândula idiopática e ou outras causas; ou hipotireoidismo secundário pela deficiência de TSH devido a um tumor pituitário ou bolsa cística; ou ainda hipotireoidismo terciário quando há uma produção ou secreção insuficiente do TRH ou devido à neoplasia, sendo a minoria dos casos, apenas 5% (GRAVES, 1998, IHLE, 1997)

O hipotireoidismo primário, resultante da destruição gradual da tireóide, ocorre em 95% dos casos. Ocorre normalmente devido a tereoidite linfocítica, que é uma destruição imunomediada, caracterizada por infiltração difusa de linfócitos, plasmócitos e macrófagos no tecido tireóideo, levando a uma destruição progressiva dos folículos e a substituição do parênquima glandular por tecido conjuntivo fibroso (NELSON, 2002, PETERSON, 1998).


Outras causas menos comuns para o hipotireoidismo primário podem ser congênitas (deficiência de iodo, disgenesia ou agenesia da tireóide), neoplásicas e ou tireoidectomia em tumores tireoideanos, intoxicação pelo uso de drogas (sulfas, por exemplo) ou terapia com iodo radioativo. O tratamento para o hipertireoidismo pode levar a destruição da glândula tireóide. O hipotireoidismo secundário, decorrente de uma deficiência de TSH, ocorre em menos de 5% dos casos (WHITE, 1997, WOLFSHEIMER, 1996). Resulta da disfunção das células tireotrópicas hipofisárias que dificulta a secreção do hormônio estimulante da tireóide (TSH) e deficiência na síntese e secreção do hormônio tireóideo. Pode ser devido a um tumor pituitário ou formação de uma bolsa cística no caso do pastor alemão que pode estar associado a uma deficiência de GH (hormônio do crescimento), hipoadrenocorticismo, hipogonadismo. O hipotireoidismo terciário ocorre pela deficiência na secreção de TRH o que provoca uma secreção insuficiente de TSH e atrofia folicular secundária da tireóide, ou ainda por neoplasia, mas é raro (WHITE, 1997, WOLFSHEIMER, 1996).

 
 

SINAIS CLÍNICOS

Os sinais mais comuns relacionados ao hipotireoidismo aparecem normalmente durante a meia idade (4 a 10 anos), e desenvolvem-se mais cedo nas raças predispostas como Golden Retriever, Doberman Pinscher, Setter Irlandês, Boxer, Schnauzer, Dachshund, Cocker Spaniel e Poodle. Os sinais clássicos desta doença incluem obesidade, letargia, “fácies trágica”, alopecia e outras alterações dermatológicas (hiperqueratose, hiperpigmentação, seborréia, foliculite, piodermite e furunculose recidivantes). Podem ocorrer anormalidades reprodutivas, anormalidades envolvendo o sistema nervoso central e periférico, sistema cardiovascular e gastrointestinal, anormalidades hematológicas e coma por mixedema. 

Estabelecer o diagnóstico desta endocrinopatia não é uma missão muito fácil, devido à falta de um único teste que forneça uma confirmação acurada do diagnóstico clínico. Além disso, a presença de fatores como raça, doença sistêmica e administração de medicamentos podem alterar os resultados dos testes de função tireoidiana, tornando difícil a sua interpretação. As anormalidades mais freqüentes são a hipercolesterolemia (>75%), hipertrigliceridemia, hiponatremia e uma discreta anemia normocítica normocrômica não regenerativa. Anormalidades menos comuns incluem aumentos moderados na fosfatase alcalina, na alanina aminotransferase e na creatinina cinase, mas estas alterações são achados inconsistentes e não podem ser relacionadas diretamente com hipotireoidismo. A hipercalcemia moderada pode ocorrer em cães com hipotireoidismo congênito (Scott-Moncrieff & Guptill-Yoran, 2004).
Segundo Nelson & Couto (2001), a urinálise não revela alterações.

 O diagnóstico deve ser determinado com base nos achados clínicos, exames laboratoriais de rotina e testes de função tireoidiana. Baixos níveis de T4 total e T4 livre por diálise e um alto valor do TSH aumentam significantemente a acurácia do diagnóstico. A dificuldade na manutenção da temperatura corporal pode levar a hipotermia clara; o cão hipotireóideo clássico procura o calor.

Embora a mensuração sérica de T4 possa ser utilizada como teste de triagem inicial, somente a avaliação criteriosa de um painel tireoidiano proporciona uma análise mais informativa do eixo hipófise-tireóide e da função da tireóide, e conseqüentemente, maior probabilidade de se estabelecer o diagnóstico correto. A concentração sérica (determinada por diálise) de T4 livre como teste confirmatório quanto ao hipotireoidismo parece constituir alternativa razoável.

 

TRATAMENTO

 O tratamento para o hipotireoidismo diagnosticado consiste em reposição hormonal. O fármaco de escolha para o início do tratamento é a levotiroxina sintética (Puran T4, Tetroid, Synthroid), que normalizará as concentrações séricas de T4 e T3. A dose inicial é de 0,022mg/kg a cada 12h por via oral. Em caso de tratamento emergencial pode-se utilizar 0,66mg/kg. A resposta pode ser avaliada em uma ou duas semanas. As anormalidades neuromusculares apresentam melhora em uma a quatro semanas; as anormalidades dermatológicas de quatro a seis semanas podendo levar até meses para desaparecer por completo. Deve reavaliar o paciente em seis a oito semanas após o início do tratamento, para adequar a dose do fármaco, porque a manutenção e o tratamento variam de acordo com cada paciente devido à oscilação na absorção e meia vida sérica da levotiroxina. O risco de hipertireoidismo iatrogênico é baixo, pois a regulação da conversão de T4 em T3 é preservada. Cuidado com farmacodermias.

 

Durante o tratamento, na reavaliação do paciente (após 6 semanas) fazemos o teste da função tireóide: Mede-se o T4 total em jejum e “pós-pill” (se fornecido SID) esperando o resultado para uma terapia apropriada quando o T4 total dentro do valor normal ou normal alto (até 20% a mais). Se o T4 total estiver alto demais, reduzir a dose ou a freqüência e se estiver baixo, aumentar a dose. Monitorar a função da tireóide a cada 6 – 8 semanas (primeiros 6 a 8 meses) depois, 1 a 2 x/ano.


FONTES: Renavet – internet

                 Vetlab – internet

                 Wagnervet sites - internet

                 Endocrinovet.com.br

                 SOS animal Hospital Veterinário



 

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