HIPERADRENOCORTICISMO EM CÃES


A Doença de Cushing ou Síndrome de Cushing (hiperadrenocorticismo) é uma enfermidade resultante de uma superprodução crônica de glicocorticóides pelo organismo. Em um cão normal, a hipófise produz um hormônio chamado ACTH, que estimula a glândula adrenal a produzir um hormônio esteróide, o glicocorticóide que é responsável pelo funcionamento de muitos sistemas do organismo. Se há algum problema na hipófise ou na adrenal que leve a um aumento na produção de glicocorticóides, haverá o desenvolvimento da Síndrome de Cushing. Esta é uma doença bastante complicada, que apresenta uma sintomatologia muito variada e diversas causas diferentes. Os músculos das extremidades e do abdome enfraquecem e atrofiam com aumento gradual de volume abdominal, lordose, letargias, tremores musculares e fraqueza. Hepatomegalia devida a aumento na deposição de gorduras e de glicogênio pode contribuir para abdome distendido e freqüentemente pendular. Astenia e consumpção musculares resultam de aumento no catabolismo combinado com diminuição na síntese protéica.

De acordo com KIRK & MULLER, (1996) o diagnóstico definitivo baseia-se na história, achados do exame físico, hemograma, urianálise, bioquímica sérica, radiografia, biópsia de pele e teste de função adrenal.

Peterson (2007) admite que o hemograma em cães acometidos pode revelar eritrocitose leve, e um clássico leucograma de estresse, isto é, eosinopenia, linfopenia e leucocitose.

O hiperadrenocorticismo causa em até 90% dos cães poliúria e polidipsia já que os glicocorticóides aumentados diminuem a reabsorção tubular renal de água por meio de aumento da taxa de filtração glomerular e do fluxo sanguíneo renal e de inibição da ação hormônio antidiurético (ADH) nos níveis tubulares. Pode ocorrer infecção no trato urinário secundariamente aos efeitos imunosupressivos do excesso de cortisol. Em alguns cães os sinais típicos de polaciúria, hematúria e estrangúria podem ser mínimos, como resultado da ação antiinflamatória do 7 cortisol. Podem ocorrer ainda glomerulopatia, bacteriúria e proteinúria (50% casos) associada (BIRCHARD; SHERDING, 2003). A polifagia parece ser o fenômeno único na espécie canina, creditando-se sua ocorrência a resistência à insulina ocasionada pelos glicocorticóides, ocasionando prejuízo à saciedade (GUPTILL; SCOTTMONCRIEFF; WIDMER, 1997).

A glicose sanguínea aumenta de forma moderada em 40 a 60% dos casos e, ocasionalmente desenvolve-se hiperglicemia acentuada. Ocorre diabetes melito em 5 a 10% dos casos. A concentração sérica de colesterol pode aumentar para 250 a 400mg/dL. Um achado compatível corresponde à excreção de grande volume de urina diluída com densidade específica baixa (menor ou igual a 1.015).

 

TRATAMENTO

Os cães com hiperadrenocorticismo confirmado por testes laboratoriais podem ser tratados clínica ou cirurgicamente. Os cães com HHD podem ser tratados clinicamente mediante administração oral de mitotano, inicialmente de 25 a 50mg/kg/dia, por 7 a 10 dias. Devem-se monitorar atentamente sinais clínicos, tais como PU/PD; se o consumo hídrico, o apetite ou o nível de atividade diminuírem, ou caso se observem reações adversas (por exemplo, vômitos e diarréia), dever-se-á interromper a medicação. Em cães tratados com mitotano, os sinais clínicos de hiperadrenocorticismo são rapidamente revertidos. Deve-se continuar com a dose de manutenção do mitotano por toda a vida do cão para evitar recorrência dos sinais clínicos.

L-deprenil (Anipril)

L-deprenil (Anipril) é um medicamento da linha humana, que é usado para tratamento da doença de Cushing. O Anipril atua através da inibição do excesso de produção ACTH pela glândula pituitária. Por este motivo, este medicamento atua somente nos casos de hiperadrenocorticismo pituitária- dependente. Dose recomendada é de 1mg/kg, s.i.d., e os cães devem ser monitorados com base em sua resposta clínica. Como 80% dos casos de doença de Cushing em cães são pituitária-dependentes, esta droga se tornou uma opção bastante popular no tratamento da doença. Uma das vantagens desse medicamento é o de não produzir tantos efeitos colaterais indesejáveis e o risco de destruir excessivamente a glândula adrenal, não existe. Além disso, não é necessária uma monitorização da glândula adrenal e exames laboratoriais com tanta freqüência, porque a droga não afeta diretamente a glândula adrenal. Algumas das desvantagens são o preço (um pouco caro se comparado ao Lisodren) e o de não ter nenhum efeito quando a doença está relacionada diretamente à glândula adrenal. Os resultados observados após o uso do Anipril em cães para o tratamento de hiperadrenocorticismo em cães são inconstantes. Anipril vem sendo utilizado devido à sua segurança e eficiência. 


Trilostano (Vetoryl 10, 30 ou 60 mg)

O Trilostano (Vetoryl) é o medicamento mais novo disponível no mercado para tratamento da doença de Cushing, e é atualmente a única droga aprovada e licenciada para tratamento da doença de Cushing em cães. O Vetoryl atua através da inibição do excesso da produção de cortisol pela glândula adrenal. Assim, esse medicamento atua nos casos de hiperadrenocorticismo pituitário-dependente, adrenal-dependente, casos atípicos e também no mais novo hiperadrenocorticismo descoberto, de origem alimentar. O Vetoryl também vem sendo utilizado amplamente devido à sua segurança e eficiência, e é a droga de escolha no tratamento do hiperadrenocorticismo em cães por veterinários endocrinologistas no Brasil e no mundo.


Complicações e Doenças Associadas ao Hiperadrenocorticismo

Hipertensão Arterial, Hipotiroidismo funcional, Diabetes mellitus, Alterações da função reprodutora, Imunossupressão e predisposição para infecções secundárias, Infecções do Trato Urinário (ITU) e Urolitíase, Glomerulopatias, Alterações do metabolismo fosfocálcico: Calcificações ectópicas, osteoporose e fraturas espontâneas, Hipercoagulabilidade e Tromboembolismo Pulmonar, Pancreatite Aguda e Alterações oftalmológicas

 

A confirmação da hipótese de diagnóstico e a detecção da sua causa

Cortisol/Creatinina Urina >> Este teste baseia-se no fato da excreção urinaria de cortisol variar de acordo com sua concentração sanguínea e a quantidade de urina filtrada. No cão, realiza-se a medição com a primeira urina da manhã, uma vez que esta reflete a excreção urinaria de toda a noite, conferindo uma correta aproximação à dosagem de cortisol em 24 horas. O exame é de realização fácil e pouco dispendiosa, não invasiva e apresenta uma boa sensibilidade (85-95%). Como limitação principal, se destaca a fraca especificidade deste teste (20-30%) É um teste indicado para eliminar rapidamente a hipótese de hiperadrenocorticismo, um teste positivo deverá ser confirmado por um teste mais específico.

 

Teste de Estimulação por ACTH >> O teste consiste na administração de um análogo sintético do ACTH,  o qual vai estimular a secreção de cortisol endógeno pelas adrenais.  Num cão com hiperadrenocorticismo, o aumento de cortisol é muito superior ao observado num cão sem doença. Nos casos iatrogênicos, o cortisol basal está baixo e a resposta ao ACTH é quase inexistente. O teste de estimulação por ACTH é o teste de eleição numa abordagem inicial ao hiperadrenocorticismo canino. Como outras vantagens existem ainda o fato do teste também diagnosticar o hipoadrenocorticismo e, dada a sua metodologia e interpretação, possibilitar o acompanhamento da eficácia e da resposta a terapêutica ao Cushing. Consiste em dosar o Cortisol sérico 1 hora após administração i.v. de 0,25mg totais de um análogo sintético do ACTH (Cortrosin, Synacthen ®) Valores normais: 6-15 µg/dL. No Hiperadreno por hiperplasia ou tumor, após 1 hora o resultado  valores > 23  µg/dL e em casos iatrôgenicos, como dito antes, o cortisol basal é < 5 µg/dL.

 

Teste de Supressão pela Dexametasona (em dose baixa) O teste de supressão pela dexametasona (em dose baixa) baseia-se na administração de um glicocorticóide e consequente avaliação da sensibilidade do eixo hipotálamo-hipófise ao efeito supressor do mesmo. O teste é um método extremamente sensível (90-95%) e suficientemente específico (70-80%). Na prática, este teste apresenta uma maior sensibilidade (mas menor especificidade) perante o teste de estimulação por ACTH. Este teste é um método excelente para diagnosticar a doença de Cushing. Ao administrarmos pequenas doses de dexametasona, cães normais mostrarão uma acentuada queda da taxa de cortisol no sangue após 8 horas. Cães que tenham a doença de Cushing, não apresentarão uma queda dos níveis de cortisol sanguíneo após a administração de dexametasona. Este teste também não distingue entre a forma Pituitária e a forma Adrenal da doença. Os testes de estimulação do ACTH e baixas doses de dexametasona geralmente são utilizados em conjunto para o diagnóstico da doença de Cushing em cães.

 

17-hidroxiprogesterona Alguns animais com sintomatologia clássica e alterações hematológicas e bioquímicas compatíveis com hiperadrenocorticismo podem apresentar níveis de cortisol normais após o teste de estimulação de ACTH e/ou o teste de supressão pela dexametasona (dose baixa). Nestes animais, o hiperadrenocorticismo é considerado “atípico”

Nos casos de Cushing, em particular no atípico, ocorrem alterações da esteroidogénese que induzem um aumento anormal dos precursores do cortisol e são passíveis de modificar a função reprodutora. Entre estes precursores há a destacar a 17-hidroxiprogesterona, a qual responde ao teste de estimulação por ACTH

Diagnóstico Etiológico do Hiperadrenocorticismo Dosagem de ACTH e Teste de supressão pela Dexametasona (em dose alta). Vai me identificar onde é a causa da doença, ou na hipófise ou nas adrenais. Cães com a forma Pituitária-dependente da doença mostrarão um decréscimo do cortisol sanguíneo quando receberem doses altas de dexametasona. Cães com a forma adrenal-dependente da doença não apresentarão decréscimo no nível de cortisol do sangue, ao receberem doses altas de dexametasona. Este método só é utilizado após a confirmação da doença de Cushing por outros métodos.

 

Fontes:   Renavet – internet

               Vetlab – internet

               Wagnervet sites - internet

 

 


 

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